Wednesday, September 09, 2009

Sua agência está resolvendo os problemas certos?


Certa vez, o dono de um restaurante procurou a agência em que eu trabalhava para alavancar suas vendas. Segundo ele, alguns bares e danceterias voltados ao público jovem que abriram nas redondezas estavam espantando sua clientela que, como afirmou, era basicamente casais das classes A e B com idade acima de 35 anos. Com isso, ele alegava que a região não era mais atrativa aos adultos. Sua solicitação era de uma campanha para reposicionar sua marca. O profissional responsável pelo marketing do restaurante havia sugerido que ele transformasse o estabelecimento em um local para o público mais novo, para competir com os outros bares.

Logo de cara, apontamos que tal mudança exigiria mais do que uma simples campanha. Ele certamente teria que alterar o cardápio – e isso incluiria abrir mão do seu chef renomado -, mudar sua política de preços, reformular o ponto de venda, fazer mudanças na marca e, obviamente, rever todo seu sistema de custos. Com a queda do ticket médio que tais jovens proporcionariam, dificilmente ele conseguiria manter sua empresa lucrativa. Ou seja, seguir o brief do cliente poderia agravar ainda mais o problema. No entanto, pedimos um tempo para estudar melhor a situação.

Sem verba para pesquisa, o planejamento se encarregou de resolver a situação. Avaliamos o histórico da marca, fomos conhecer o estabelecimento e a concorrência, conversamos com clientes e ex-clientes e até com o público de vinte e poucos anos que freqüentava a região. O diagnóstico foi surpreendente. A maioria daqueles ex-clientes haviam deixado de ir ao restaurante pois não tinham mais onde estacionar. Com a chegada desses novos estabelecimentos, as ruas próximas ficaram cheias de carros. Um jovem não liga de estacionar várias quadras adiante, mas o público adulto queria parar o mais perto possível. Se não tivesse vaga, eles iam direto para algum concorrente. E, com o tempo, o restaurante foi saindo da lista de opções desse pessoal. No entanto, a marca era muito bem avaliada pelos adultos. Pelos jovens, entretanto, ela era vista como algo caro e com a “cara” dos seus pais, o que indicava que o tal reposicionamento tinha tudo para fracassar.

Em uma ação exemplar, a agência disse ao cliente que não havia nada que a comunicação pudesse fazer até que o problema real fosse resolvido. Sugerimos, então, que ele adquirisse um terreno que havia em frente ao local para construir um estacionamento. No início ele relutou, mas conseguimos convencê-lo. Em poucos meses, em uma obra rápida (subiu um muro, cimentou o chão e montou uma guarita), o estacionamento estava pronto.

Agora tínhamos um objetivo claro para a comunicação: fazer com que o público soubesse da novidade para colocar o restaurante novamente na sua lista de opções. Sugerimos algumas mudanças na decoração, uma pequena e rápida “reforma”, uma festa de reinauguração com alguns formadores de opinião e ex-clientes, um trabalho de assessoria de imprensa e anúncios em alguns jornais (bem criativos, por sinal). Em pouco tempo, as filas haviam voltado à porta do estabelecimento.

Pode até parecer um problema de cliente pequeno, sem um marketing bem estruturado, mas, trabalhando com grandes marcas, deparamos com problemas até piores. Aliás, quanto mais global a atuação, mais chances de existirem.

Essa reflexão nos leva a duas conclusões fundamentais: a de que uma das principais tarefas do planejamento é entender claramente qual o problema ser resolvido; e a de que nem sempre a comunicação é a melhor maneira de se resolver esse problema.

No livro Como Planejar a Propaganda, o Leslie Butterfield – hoje Diretor Estratégico da Intebrand -, faz um comparação bem interessante do planejamento com o trabalho de um médico. Segundo ele, o médico entra na vida do paciente, escuta o relato dos sintomas, analisa seu histórico e contexto, pensa a respeito dos pontos aparentemente sem importância – como perda de peso, ou mudança de alimentação - e distingue entre o que é real e o que é uma avaliação subjetiva do paciente. Depois, começa com perguntas para detectar a presença de outros sintomas que poderiam esclarecer o quadro clínico, faz ligações com outras doenças historicamente relatadas, descarta o que não tem importância e, se necessário, solicita exames. Com isso, ele consegue definir o problema a ser resolvido e pode oferecer uma solução eficaz – que pode ir de uma simples medicação, até intervenções cirúrgicas. Com o planejamento, é a mesma coisa. É crucial encontrar o verdadeiro problema. Mesmo se for um processo já iniciado, é fundamental questionar o que tem sido feito.

Quando não há um problema evidente, é preciso um exercício para detectar e antever pontos que poderiam atrapalhar a marca a atingir seu objetivo de mercado. Além disso, há casos em que tudo aparentemente vai bem (não há sintomas), mas na verdade, existe um grande problema latente. Isso me faz lembrar de uma empresa que, no auge do crescimento de mercado (aqui qualquer um cresce), estava prosperando, porém em índices inferiores ao do mercado. Quando a crise chegou, ela se deu muito mal. Ou então de outra que, a cada campanha adotava um discurso tão inconsistente – mas “vendedor”, como dizia o gerente de marketing - que só foi dar falta de uma marca forte quando já era tarde demais.

Nessa busca, duas perguntinhas básicas podem ajudar bastante:

• O que está atrapalhando o desempenho atual da marca?

• O que poderia impedir a marca de atingir o seu objetivo de mercado?

Se a comunicação não for a solução ideal, não é obrigação da agência fornecer soluções que vão além do seu alcance – apesar disso ser um tremendo diferencial que vem consagrando agências como a Zeus Jones e a Naked, que vendem ideias e não execuções.

Os níveis de problema que a comunicação pode resolver são os mais diversos. O público pode, por exemplo, não estar entendendo a comunicação atual, novos hábitos podem estar tornando o uso atual do produto inadequado, o público que a marca quer atingir pode não estar mais usando o produto, a verba pode ser pequena para utilizar mídias de massa, pode acontecer do preço Premium não ser justificável, as pessoas podem desconhecer o produto – e por aí vai.

A campanha que a Fiat fez há alguns anos para o Palio, que dizia "Está na hora de você rever os seus conceitos”, nasceu de um problema interessante. Havia um grupo de pessoas que rejeitava a marca, e a influência que exerciam sobre o público estava impedindo que a marca atingisse seus objetivos. Esse ódio (o grupo foi chamado de haters) era herança da imagem arranhada do extinto FIAT 147, o que não correspondia mais à realidade. A comunicação tinha, então, que mudar a concepção, não dos haters em relação à marca (o que seria muito difícil), mas dos outros públicos em relação à opinião desse pessoal.

No livro A Arte do Planejamento, O Jon Steel conta um caso interessante do qual participou, ainda na Goodby, Silverstein & Partners, para a marca de automóveis Isuzu. Quem decidia por comprar um carro, geralmente, reduzia sua lista de opções a 3 ou 4 marcas e se dirigia a essas concessionárias para analisar melhor cada opção. A Isuzu ficava fora dessa lista. A causa? Era vista como uma marca inferior. Esse era o problema. Com isso, o papel da comunicação foi, ao invés de diferenciar o produto, mostrar que ele era igual aos concorrentes, para que entrasse nessa lista. Mas para chegar aí, foram conduzidos diversos estudos bem interessantes que ele detalha da publicação.

Portanto, se aceitarmos o brief do cliente sem questioná-lo, corremos o risco de fazer como um chefe de polícia britânico, em um caso que o Jon Steel contou no seu discurso na comemoração dos 40 anos do planejamento. Esse oficial defendia a redução do número de policiais nas ruas, com base na informação de quem onde havia mais guardas na rua havia menos prisões. Baseado nas estatísticas, dizia o chefe, com menos polícia nas ruas, mais gente seria presa. Ela avaliava isso como positivo, pois o que o governo havia pedido a ele era um aumento no número de prisões. Será que ele estava resolvendo o problema certo? O que seria melhor: mais prisões ou menos crimes?

Se for pra ter medo de algo, tenha da mediocridade


Alex Bogusky*

Um velho amigo meu passou pelo escritório um dia desses para me perguntar sobre o nosso processo de novos negócios. Ele tem uma agência menor e está buscando estratégias para fazê-la crescer. Quando o conheci, ele estava nos ajudando com parte do trabalho de lançamento da campanha Florida Truth. Na época, a CP+B tinha cerca de 60 pessoas e, portanto, ele nos viu passar por muitas mudanças, e acho que nós dois ficamos surpresos com muito do que a conversa revelou terem sido os direcionadores do nosso crescimento. Eu quis anotá-los enquanto estavam frescos na minha cabeça.

1 – Conte seus sonhos para outras pessoas.

Isso foi muito importante pra nós. Por muitos anos o Chuck e eu tivemos esse segredo de querer ser uma grande agência um dia. Sabe-se lá o que isso queria dizer. Mas foi uma daquelas aspirações que você não ousa dizer em alto e bom som para ninguém pois soaria ridículo. As pessoas ririam, apontariam e diriam, “Lá vão aqueles caras que queriam ser grandes! Eles fracassaram!” No entanto, para ter sucesso você deve enfrentar o risco de fracassar.

Então, decidimos contar pra toda a agência o que queríamos nos tornar. Era a nossa missão. Conhecíamos uma pessoa que estava na Fallon no início e tinha participado da criação da deles que, não sei se me lembro exatamente, mas dizia de forma muito simples e básica que queriam ser “a agência mais premiada dos Estados Unidos”. Nós pensamos sobre o que gostávamos no negócio da publicidade e não eram os prêmios, era a questão da cultura. Assim, nossa missão se tornou: “Criar a publicidade mais comentada do mundo.” Na época, provavelmente não tínhamos ainda alcançado nosso objetivo em Miami ou na Flórida. Então, era um pouco constrangedor. Meu amigo ficou realmente chocado quando soube da nossa missão. Tenho certeza de que ele teria rido se ficasse sabendo na época. Porém, na agência nós compartilhamos essa missão com todo mundo e confeccionamos pequenos cartões para anexar ao monitor ou à mesa, para que, durante o dia, nós pudéssemos tomar todas as centenas de decisões que precisávamos com nossa missão em mente.

Em questão de semanas, algo novo estava começando, e a agência passou a, claramente, tomar a direção do nosso objetivo compartilhado. Das milhares de pequenas decisões que deram forma ao nosso futuro, dava pra sentir que mais da metade estava nos levando ao lugar que queríamos. Teria sido ainda melhor se tivéssemos tido coragem de fazer isso antes.

2 - Os clientes que você tem são a sua verdadeira máquina de gerar novos negócios.

Eu vejo tanta gente negligenciar isso. “Se eu tivesse um cliente assim ou um cliente daquele jeito.” É essencial ter uma clara ideia na sua cabeça do novo patamar que pretende atingir e do novo caso que você espera provar com cada novo cliente, antes de começar o trabalho. O que vai ser diferente em relação a agência seis meses depois da chegada dessa nova conta? Como essa nova receita e essa nova campanha vão tornar a sua agência mais inteligente e mais capaz do que era antes?

3 - Encontre alguma paixão real em construir o seu negócio ou vá fazer outra coisa.

Nós temos uma regra que diz que não podemos disputar um novo negócio até que todos os nossos parceiros sintam paixão por ele. E dinheiro não é uma razão aceitável para paixão. Pode ser qualquer coisa, menos dinheiro. Talvez você goste por ser uma empresa familiar. Talvez seja amor por ser uma empresa desafiante. Talvez você ame por ser a chance de construir algo a partir do zero. Seja qual for o motivo, encontre-o. Se você não encontrar, diga não, obrigado. No fim, você será definido pelos seus clientes. Não há outra forma de fazer isso. Por isso existem tantos parasitas no mundo dos negócios: as agências.

4 – Não modele o seu negócio com base no que outros fazem.

Pare de roubar as coisas que outras agências fazem. Na verdade. Roube-as, leia tudo e visite todo mundo para descobrir o máximo que puder. Depois, quando souber o suficiente, esqueça tudo e invente seu próprio processo e suas próprias ideias. É como um músico de jazz encontrando sua voz única. No começo, exige muito estudo, prática e emulação. Mas no fim, ninguém deve nem pode soar igual. Quando você encontrar sua voz, a sua afinação e seus processos serão melhores do que qualquer outro, pois você pode falar sobre eles honesta e genuinamente. A maneira de encontrar sua afinação pode levar um tempo, mas há um método real e garantido de começar. Passe de seis meses a um ano anotando toda vez que se sentir bem em relação a um trabalho ou sobre algo que esteja fazendo naquela hora. Eu garanto que um padrão vai surgir e, com sorte, não será sobre o almoço ou sobre golfe.

Bem, são quatro. Na verdade, existem alguns outros, mas eles podem esperar até uma nova ocasião para serem escritos.

*Alex Bogusky é sócio-fundador da Crispin Porter + Bogusky

Saturday, August 22, 2009

Como tornar uma agência famosa de uma hora pra outra


É possível uma agência praticamente inexpressiva se tornar a mais conhecida de um país inteiro em questão de semanas?

Foi exatamente o que conseguiu a agência espanhola
Ruiz Nicoli Líneas, com uma ação inusitada que lhes rendeu até um bronze na categoria Promo do Cannes Lions 2009. O melhor de tudo foi que um trocadilho infame, daqueles de doer os ouvidos, foi o grande responsável pela façanha.

Tudo começou com alguns boatos que a Ruiz Nicoli Líneas lançou na internet dizendo que havia sido eleita a Agência do Ano pelo Nielsen. Para espalhar ainda mais a informação, eles veicularam banners em respeitados sites de negócios e comunicação e anúncios nos principais jornais do país - sempre dizendo que, de acordo com o Nielsen, eles eram a Agência do Ano.

No entanto, não fazia sentido uma agência totalmente desconhecida ser apontada como a principal de 2008 por um dos mais respeitados institutos de pesquisa do mundo. Aquilo não soava como algo normal. Essa desconfiança gerou um buzz enorme – com suspeitas, inclusive, de que a agência poderia ter “comprado” o prêmio.


Para a surpresa geral, eles não estavam se referindo ao instituto Nielsen, mas sim ao ator Leslie Nielsen – aquele do filme 'Corra que a polícia vem aí'. Quem havia dito aquilo tudo sobre a agência havia sido ele.

A verdade foi revelada em um hotsite e o caso foi parar até em um dos programas de TV mais assistidos da Espanha, oBuenafuente. Para aumentar o impacto, foram realizadas algumas ações de rua e alguns vídeos com declarações do ator foram colocados no Youtube.

O resultado foi surpreendente: mídia espontânea estimada em 250 mil Euros, um Leão no maior festival de publicidade do mundo, dezenas de novos clientes e 80% de top of mind em toda a Espanha.

O passo inicial foi fantástico. O desafio agora é reverter toda essa criatividade em grandes resultados para os clientes. Vamos aguardar.




Monday, July 13, 2009

Olympus | Pen Story

Filme feito em stop motion, chamado "PEN Story". 
60.000 fotos, 9.600 impressões e mais 1.800 novas fotos, após o review. Tudo sem pós produção.
Muito bacana.

A história do Planejamento em poucas linhas


Stephen King
 da JWT e Stanley Pollitt da BMP são, definitivamente, os pais da disciplina do Planejamento. Em agências separadas, mas quase ao mesmo tempo, eles iniciaram uma revolução no mundo da propaganda que se espalhou da Inglaterra para outros países e de agências de propaganda para consultorias de negócios, marketing direto, relações públicas, escritórios de design e departamentos de pesquisa.

Em 1964, Stephen King, insatisfeito com o trabalho de mídia e dos departamentos de marketing (naquela época os planos de marketing eram feitos pelas agências, e não pelas empresas), desenvolveu um novo sistema de trabalho – chamado T-Plan, ou Target Plan – que se concentrava em combinar pesquisas sobre consumidores com insights criativos para criar propaganda mais efetiva.  

Stanley Pollitt, em 1968, estava preocupado com o enorme descrédito dado ao atendimento no desenvolvimento do brief criativo e sentiu que eles estavam utilizando os dados de forma incompetente ou superficial. Ele queria o pessoal responsável por pesquisa ao lado do atendimento. Para Stanley, a voz do consumidor era de primeira importância, e utilizar pesquisas com consumidores para clarificar os assuntos e enriquecer o processo de desenvolvimento da propaganda era um componente essencial. 

Quando a BMP foi formada, cada um dos três atendimentos era gerenciado por um diretor de contas e um planejador de contas – função de linha. Tanto Stanley quando Stephen tinham um desejo de reorganizar o planejamento de mídia, pesquisa de mercado e os departamentos de marketing. Stephen, inicialmente, por meio de um processo e Stanley por meio de uma pessoa. Ambos deram os primeiros passos para a criação de um novo departamento e de uma nova disciplina. 

O nome Account Planning – como é chamada a disciplina na Inglaterra – foi dado por Tony Stead, da JWT, em 1968, combinando o Planejamento de Mídia (Media Planning) e Atendimento (Account Management).  Em outros países, além do nome original, há várias outras denominações para a mesma função. Nos Estados Unidos os nomes Planejamento de Marcas (Brand Planning) e Planejamento Estratégico (Strategic Planning) são bem comuns. Aqui no Brasil, as denominações mais usadas são Planejamento de Comunicação, Planejamento Estratégico ou simplesmente Planejamento.

Tuesday, June 30, 2009

Teoria do Playmobil

*texto extraído do site substantivolatil.com

Orkuteando por volta de 2006, eu dei de cara com uma comunidade que mudou a minha vida.Hipérboleamentos (agudo proposital) à parte, a parada me apresentou à teoria mais simples e eficaz ever: a Teoria do Playmobil. E depois de me perguntarem por toda a semana no MSN o que diabos é a Teoria do Playmobil, decidi apresentá-la aos senhores e desenrolar a coisa como eu a vejo (oi?). Preparem-se, aqui vai:

“Nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto.”

Se você não entendeu, atente para a foto do nosso querido modelo Playma acima.

Se você entendeu mas achou babaca, então aqui vamos nós.

Numa semana, recebo várias propostas de projetos absurdamente legais, combino de encontrar uma pessoa que muito me agrada, marco uma viagem, emagreço dois quilos (girl talk) e tal.

Na outra semana, o maior projeto vai pra stand by, a tal pessoa também, eu quase quebro o nariz e passo dias com dor, e, se não bastasse, no único dia que eu resolvo sair, eu encontro o ex de mãos dadas com uma mistura de lacraia com Gretchen, que rebolava ao som de tunts tunts.

Não era pra voltar pra casa e chorar toda a vida? Óbvio, e foi o que eu fiz, até desabar de cansaço.

Acordei mais inchada que baiacu com medo, mandei o espelho tomar no meio do toba dele e fui pra cozinha. Aí minha irmã chegou de São Paulo. Passei umas boas horas conversando e rindo com ela e com a minha mãe, e de repente me caiu a ficha do nível de pateticidade dos meus últimos dias.

Quando você tá mal, você se força a ficar cada vez pior. Interneticamente falando, você vai lá e colocaHamburg Song no repeat enquanto posta uma foto com cara de cu no fotolog e fica falando sozinho no twitter, tudo isso sem abrir a janela ou acender a luz, claro, porque luz vai estragar o clima “I’m sorry, I can’t be perfect“.

Aí quem te olha de fora pensa: puta cara chato da porra.

Parabéns, agora além de patético, você é chato.

Claro que não é fácil ficar bem do nada, quando você tá (ou acha que tá) ferrado em todos os campos da tua vida, mas da próxima vez, tenta fazer um esforço e fazer alguma coisa que cause riso. Bota uma comédia, assusta a vó, vai brincar com o pet. Peixe não vale.

E agora se apegue ao que achar mais conveniente, porque as explicações vão de misticismo à ciência. Você pode simplesmente acreditar que positivo atrai positivo ou pesquisar sobre osbenefícios do riso para a saúde. Fazendo o último, inclusive, você vai descobrir que o riso faz o organismo liberar serotonina. Quem mais força isso mesmo? Ah, lembrei! Os antidepressivos. Então se você se entope de alegria fabricada, podia tentar fabricá-la sozinho.

E arrume desculpas pra tudo. Azar o dele se ele tá pegando baranga, já apareceram mais três projetos novos, e tem 6 bilhões de pessoas no mundo. Tirando as mulheres, que eu ainda não cheguei nesse ponto, e filtrando mais umas paradas, eu posso chutar que existem ao menos algumas mil pessoas por quem eu ainda posso me apaixonar. Que sejam cem. Que sejam 10. Que seja uma.

Só que eu nunca vou encontrá-la enquanto estiver postando cuzice no fotolog. E ela nunca vai me amar se eu não o fizer primeiro.

Ps. Comunidade aqui.

Wednesday, June 24, 2009

Identidade visual Havaianas | Leão de Ouro no Festival de Cannes 2009 categoria Design



Tradução:

Como transformar 30 cm de borracha e duas tiras,
a preço médio de 8 dólares, numa marca mundial. 
Juntando o simples com a alegria. 
Exuberância com irreverência. 
O design com a cor. 
Toda manifestação da marca, seja ela na mídia que for, 
tem sempre na sandália o seu ponto de partida. 
Refletindo a cultura e a alma brasileiras,
vamos formando uma identidade única. 
Deixando de ser uma simples sandália de borracha,
para se transformar na primeira marca mundial verdadeiramente brasileira.


Tuesday, June 23, 2009

Cannes 2009 | Meus favoritos - Parte I

Cannes está aí. Desta vez, com uma redução drástica nas inscrições. Como sempre, a desculpa é a crise. Segue abaixo minhas peças favoritas até agora. Na sequência publico mais.

Smart - Half Price


Oral-B - Escondido




Panamericana - Até onde vai a sua criatividade?



Stock - Grandes imagens acontecem sem briefing





Saturday, May 02, 2009

Free Shop - Planeta Sustentável


Imagine uma loja em que você pode pegar o que quiser sem precisar pagar. Nada de dinheiro, cartão ou preocupações. Bom demais para ser verdade? Pois a Loja Grátis foi criada há quase um ano por amigos que se reuniam no projeto Domingo 9 e Meia, em Belo Horizonte. Organizavam debates, festas, exposições e, de vez em quando, umas ideias geniais. A da loja se materializou em uma sala emprestada pela administração do Mercado Novo, no centro da cidade. No local - meio abandonado depois de um incêndio que destruiu parte do prédio -, não há energia elétrica nem segurança. Mas entre as paredes grafitadas acumulam-se roupas, livros, filmes, obras de arte, material de escritório e um bocado de altruísmo. Inspirada nos give-away shops europeus, não é depósito de tranqueiras, mas lugar para praticar o desapego, passar adiante coisas bacanas que você não está usando. Iniciativa que tem tudo para ser repetida em outras cidades. Além de objetos, voluntários doam também seu tempo, cuidando da loja. Um mural na parede é espaço para anunciar doações maiores, como móveis, ou ainda serviços comunitários. 

O mais interessante é que a 
Loja Grátis não pressupõe troca. Quem pega um artigo não tem obrigação de deixar outro no lugar. "As pessoas que participam do projeto não são franciscanos. É gente comum que resolveu pensar além da lógica do consumo e do desperdício. Para que acumular tanta coisa em casa?", diz Luther Blissett (nome fictício), um dos integrantes do coletivo Ystilingue, que também cuida da loja. Se você decidir fazer uma visita, a qualquer hora, é só entrar. As portas nunca são trancadas. Afinal, quem vai querer roubar uma loja que já é de graça?

Monday, April 20, 2009

Gráfica Fidalga

Navegando pelo twitter achei um link do You Tube sobre uma tal "Grafica Fidalga". Eles fazem poster lambe-lambe com uma máquina alemã de 1929. Para os dias de hoje, atraso total. Para os donos da empresa, poesia pura. Nesse caso, acho que o amor pela profissão ultrapassa o valor da tecnologia. 

Confiram:

Sunday, April 05, 2009

The Goonies


1. A atriz que interpretou Harriet Walsh, Mary Ellen Trainor, era casada com Robert Zemeckis. Ela esteve em quatro de seus filmes: Tudo Por Uma Esmeralda, De Volta para o Futuro II, A Morte Lhe Cai Bem e Forrest Gump. Eles se divorciaram em 2000.

2. A cena do sótão, onde as crianças descobrem o mapa de Willy Caolho levou dois dias para ser filmada e tem mais de 100 tomadas. A propósito, o nome completo de Willy Caolho é William B. Pordobell.

3. O nome verdadeiro do Bocão é Clark.

4. O elenco disse que estava apavorado em filmar o vídeo “Goonies R Good Enough” com Cyndi Lauper, porque todos os lendários lutadores que participaram do clipe eram assustadores.

5. O ator que fez o papel de Sloth é John Matuszak. Alguma vez você reparou que ele usa uma camiseta do Oakland Raiders numa parte do filme? É uma espécie de piada. Matuszak, antes de ser ator, era jogador de futebol americano. Ele morreu vítima de ataque cardíaco, apenas quatro anos após ter filmado Os Goonies, com 38 anos. Dizem que sua morte foi motivada por esteróides.

6. Sloth diariamente demorava cerca de cinco horas para ficar pronto. Um dos seus olhos era operado por controle remoto.

7. Robert Davi, que interpreta Jake Fratelli é realmente um cantor de ópera.

8. Os Goonies são chamados assim porque todos eles moravam em um bairro de Astoria, chamado “Goon Docks”.

9. Quando Chunk (ou Gordo, como é conhecido aqui no Brasil), está sendo interrogado pelos Fratelli, ele realmente está chorando - segundo ele, porque achava que sua mãe iria morrer.

10. Jeff Cohen, o Gordo, largou a carreira artística em 1991. Ele agora é advogado em Los Angeles e chegou a se candidatar à presidência da Universidade UC Berkeley, com o slogan “Gordo para Presidente”.

11. Os Goonnies não querem morrer. Rumores sobre Goonies 2 circulam há anos. Alguns dos atores do filme original já desdenharam a participação, enquanto outros disseram que certamente participariam.

12. O ator que interpreta Troy, o namorado da Andy, é Steve Antin. Ele não só é escritor, como toda sua família é muito famosa. Seu irmão é o famoso cabeleireiro Jonathan Antin - dono de um salão em Beverly Hills e conhecido por cuidar de várias celebridades, sua irmã Robin Antin criou o grupo Pussycat Dolls e seu irmão, Neil Antin, também é ator.

13. Se você visitar Oregon e quiser fazer um tour pelas locações do filme, visite TheGoonies.org, que apresenta uma lista de todos os locais onde foi filmado. Você ainda pode visitar a casa Goonie, os proprietários não se incomodam.

14. Quando as crianças fogem no navio pirata, eles encontram com um polvo. Você só não vê porque a cena foi cortada, mas Data fala sobre isso com sua mãe, comentando sobre suas aventuras no final do filme.

15. Richard Donner, diretor do filme, ainda tem a cabeça de Willy Caolho em seu escritório.

16. As crianças não tinham visto o navio pirata até o momento da filmagem, por isso os olhares assustados na cena. Por ser grande demais, os produtores tentaram - sem sucesso - doá-lo para um parque de diversão e para um outro filme, mas ninguém aceitou o presente, então ele foi destruído.


Lavoura Arcaica: o eterno retorno para a casa da existência

“Estamos indo sempre para casa”...(Raduan Nassar)

Da escritura sagrada de Raduan Nassar, o diretor Luiz Fernando Carvalho (experiente diretor de minisséries da Rede Globo como Hoje é dia de Maria, Pedra do Reino e Os Maias), extraiu as sensações e conseguiu tecer um filme denso com imagens poéticas e arrebatadoras mantendo o texto de Raduan como guia condutor. De uma obra rara como a de Raduan, o longa lançado em 2001 ainda inquieta os espectadores mais sensíveis e há quem diga que é um dos filmes mais belos já feitos em terras brasileiras. 

Na tentativa de fazer o caminho contrário da parábola do Filho Pródigo, Lavoura traz a narrativa em primeira pessoa do personagem André (Selton Mello), que revoltado contra as tradições agrárias e patriarcais impostas pelo seu pai foge para a cidade desejando a todo custo um destino diferente daquele reservado para ele por sua família. 

A primeira cena desloca o espectador do seu estado natural para embriagar-se junto com André numa angustia que o toma do início ao final do filme. O som de um trem correndo pelos trilhos e a masturbação de André em seu refugio (um quarto alugado em uma pensão), onde a câmera aproxima-se da pele do ator formando uma imagem sem definição, dá o tom do que virá pela frente, reservando aos olhos fotografias semelhantes à poesia, feitas pela genialidade de Walter Carvalho.

Ao encontrar o irmão no quarto alugado, Pedro (Leonardo Medeiros) tenta a todo custo levá-lo de volta para casa, num diálogo aparentemente interminável onde toda o peso da saída do irmão é levado para fora. Utilizando imagens como a memória, Pedro conta como sua mãe ficou depois da sua partida e de como a família agora não tem mais felicidade. André ao ouvir o irmão começa um discurso doloroso do que motivou sua partida e a obra contorna a literatura de Nassar numa jornada sensível a infância de André que viveu toda sua história convivendo entre o doce de sua mãe (Juliana Carneiro da Cunha) com seus carinhos e amor e o amargo de seu pai (Raul Cortez) com suas punições e culpas, calcados na doutrina cristã e na valorização do tempo. Ensinamentos que André repudia por contrapor aos sentimentos incestuosos por sua irmã Ana (Simone Spoladore) e sua rejeição sentida desde criança diante as atitudes do pai. André tem pressa e quer ser o profeta de sua vida e crescer por seus próprios desejos. 

O pedido da mãe em fazer Pedro trazer André de volta é atendido, mas o retorno é ainda mais doloroso. O diálogo entre pai e filho na recepção deixa nítida a angustia de existir em André e o pausado discurso do pai tece fios de distância entre as gerações, evidenciando ainda mais o conflito existente. Entre as cenas mais belas do filme, a festa da recepção traz a irmã Ana dançando de branco com uma flor vermelha nos cabelos e o olhar de desejo de André enquanto afundava os pés nas folhas secas caídas sobre a terra molhada. A imagem é poesia pura e de tamanha força que conseguimos sentir as folhas entre os dedos dos nossos próprios pés. 

Além desta sensação, os aromas, a temperatura, o doce e o amargo e principalmente a sonorização do filme, envolve todos os sentidos de quem assiste. 
Por falar no som, a trilha sonora é primorosa e traz o compositor Marco Antônio Guimarães, líder do grupo Uakti, em perfeita sintonia com a obra. A música de Guimarães utiliza temas típicos da música árabe e faz uma citação d'A paixão segundo São Mateus de Bach. Marco que tem experiência em criar sons experimentados a partir de canos de PVC e objetos recicláveis conseguiu concretizar uma das trilhas mais dinâmicas e belas do cinema brasileiro.

É nessas sensações, entre o doce e o amargo e a poesia que o filme se traduz, se desfaz e toma o espectador. E vale a pena, mesmo com quase três horas de duração, ser visto e revisto diversas vezes. É um retorno para a casa de nós mesmos. 


Raduan Nassar

Comparado na literatura a Clarice Lispector e Guimarães Rosa, Raduan é um escritor raro, assim como suas poucas obras publicadas. “Lavoura Arcaica” publicado em 1975, “Um copo de cólera” em 1978 e “Menina a caminho” (contos) em 1994, são os poucos espaços onde os leitores podem encontrar seus escritos. Raduan escolheu viver isolado em seu sítio na cidade de Pindorama, interior de São Paulo, lugar onde não sai desde 1984. 
Para a autorização da adaptação de sua obra no filme “Lavoura Arcaica” o único pedido de Nassar para o diretor Luiz Fernando era que ele não aparecesse em lugar nenhum. E foi o que aconteceu, até hoje não se sabe se Nassar assistiu ao filme. 

Trecho da obra literária transposta para o filme:

"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora, inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que eu conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim. Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, nem aquele devasso que estende as mãos e braços em terras largas. Rico só é o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura. Não se rebelando contra o seu curso. Brindando antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira. O equilíbrio da vida está essencialmente neste bem supremo. E quem souber com acerto a quantidade de vagar com a de espera que deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco de buscar por elas e defrontar-se com o que não é. Pois só a justa medida do tempo, dá a justa 'atudeza' das coisas (Raduan Nassar)

Trechos do longa

Sunday, March 29, 2009

As ideias podem ser boas ou ruins?

Viral que está circulando na blogosfera já há algum tempo e trata sobre o tema das “ideias” e como as agências e os criativos são cruéis em classificá-las de forma reducionaista em “ideia boa” ou “ideia ruim”. A campanha é assinada pela “The People for the Ethical Treatment of Ideas” (PETI), entidade que visa fiscalizar os maus tratos contras as “ideias”. Existe também um site / manifesto, que você acessa aqui.

O ciclo de uma semente

Animação brilhante criada pelo designer e film maker inglês John Kelly, na qual utilizou um mix de técnicas 2D e 3D. Optei por colocar abaixo o making of para se ter noção do que foi preciso. Neste link aqui você assiste ao filme final.


Making of 'The Seed' from Johnny Kelly on Vimeo.

Thursday, February 26, 2009

Columbia | Mídia Exterior

Destaque para essa peça de Mídia Exterior criada para a Columbia. Excelente execução.

Título:
"El aire que enfría tu hogar calienta el mundo"

Tradução:
O ar que esfria teu lugar, esquenta o mundo.